Um grande consultor internacionalmente reconhecido em storytelling me contou um segredo: escrever uma história é como fazer uma limonada. Cada limão é um personagem e todos os limões devem estar frescos para um bom resultado final. Para escrever uma história, é imprescindível saber como criar personagens verossímeis. Aliás, todos os personagens devem ser verossímeis, ou o resultado será uma limonada de má qualidade.

close up shot of a person holding a slice of a lemon

O que é verossímil?

De acordo com o dicionário Priberam de Língua Portuguesa, a palavra significa:


(latim verisimilis, -e)
adjetivo de dois gêneros

1. Que tem aparência de verdade.
2. Semelhante à verdade. = PLAUSÍVEL, PROVÁVEL
Superlativo: verossimílimo

“verossímil”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/veross%C3%ADmil [consultado em 24-06-2022].

Assim, um personagem verossímil é um personagem com aparência de verdade, plausível, que parece gente de carne e osso. Segundo a minha experiência, atingimos um resultado assim quando o personagem sai do papel e começa a agir por conta própria.

Para retomar a analogia do consultor em storytelling, eu diria que um personagem verossímil deve trazer à boca do leitor a mesma sensação azeda do limão fresco e recém-colhido d’árvore. Aquela sensação que faz a boca salivar e que traz um arrepio na espinha. Um arrepio de quem conhece o gosto adstringente e corrosivo de um bom limão.

Assim deve ser o seu personagem: como um limão que corrói tudo por onde passa. Pelo seu poder desinfectante, ele primeiro deixa aquela sensação de exposição e de abertura da ferida. Mas o leitor sabe muito bem que a ação do limão vai além da exposição da carne-viva. O bom limão limpa, purifica e convida a mudança a entrar no organismo agora livre de infecções. Tal um remédio, o personagem deve trazer esse efeito no leitor: o de cura. Todos os personagens! E é assim que se constrói personagens com aparência de verdade.

Criando o personagem verossímil: do papel à realidade

Na linguagem da escrita criativa, isso equivale a dizer que o personagem começa a fazer coisas que o autor não tinha previsto inicialmente. Isso acontece porque ele está saindo do papel e pulando para a realidade. Quando o personagem surpreende o autor, significa que ele está começando a sair do papel. É dever do autor estimular essa saída do papel, a formação da autonomia e de independência do personagem, como um pai faria com o seu filho que quer tomar o ônibus pela primeira vez sozinho.

O que um personagem verossímil deve ter?

Eu diria que não existe fórmula mágica para tirar o personagem do papel além da velha e famosa suadeira. O autor precisa desenvolver o seu personagem para que este comece a agir por si só, precisa dar-lhe características, atribuir-lhe um passado, marcá-lo com traumas e empoderá-lo de uma voz que ecoa forte no coraçaão do leitor.

A tarefa não é das mais fáceis, entretanto, existem algumas técnicas e templates que ajudam o autor e que você pode baixar para escrever um bom personagem. Dentre as características listadas no documento abaixo, eis algumas das mais importantes:

  • função narrativa,
  • objetivo do personagem,
  • característica distintiva, entre outras…

Enfim, eu diria que a melhor maneira de medir se o seu personagem é forte o suficiente é tentar comparaá-lo com o limão. O seu personagem deixa um gosto na sua boca? Como é esse gosto? A ação desse personagem é purificante? Ela convida a cura na vida do leitor?

Para maiores informações sobre o personagem mais importante, leia: O personagem principal.

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