“Na natureza, nada se cria, tudo se transforma.” Essa frase resume uma lei física e orgânica e talvez a maior lição para um autor que está se aventurando na empresa da escrita criativa pela primeira vez. Saber como escrever um livro do zero não poderia ter sido mais simplificado através desse conhecimento milenar: uma história não é criada pelo autor, ela já estava lá, muito antes do autor sequer pensar em escrever. O papel do autor é transformar a ideia em história escrita. Entender isso é crucial e vai facilitar muito a tarefa do escritor. Porém, apenas conhecer essa lei não é o suficiente. É preciso que o escritor entenda o papel fundamental que ele desempenha quando traz uma entidade do campo das ideias para o campo da existência material, no caso a literatura. Isso parece abstrato, mas é muito prático. Vamos entender por que aqui.

A ilusão da escrita do zero

Eu quero começar este artigo sobre como escrever um livro do zero com a citação de um dos artistas mais conhecidos da Renascença: Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, ou Michelangelo.


“A escultura já está finalizada no bloco de mármore, antes de eu começar meu trabalho. Já está lá, só tenho que esculpir o supérfluo.

Michelangelo

woman statue beside street light
estátua

Apesar de nesta frase, o nosso mestre artístico falar de uma escultura, ele se refere à arte em geral, à toda criação artística, da qual não escapa a escrita e a literatura.

O teor da frase mostra que um verdadeiro artista – e escritor por conseguinte – sabe muito bem que o seu trabalho é o de exposição de algo que já existe, um trabalho de canalização antes de tudo. Tal um médium com o espírito, o escritor canaliza uma história através das suas competências em redação.

Caso quiser se aprofundar a missão fundamental do escritor, leia o artigo: A guerra na Ucrânia e a missão dos autores.

Escreva com um objetivo

O primeiro passo prático quando o escritor é atingido pela ideia é tentar identificar nela um objetivo preciso que estimule o progresso humano. Estudemos a escritora Sarah Vaughan em seu best-seller Anatomia de um escândalo. Lançado em 2018 e adaptado para a tela pelo Netflix, nós poderíamos identificar a premissa como “violou ou não?”. Entretanto não é verdade. Esse é apenas um gatilho usado pela autora para manter o leitor preso à trama.

O verdadeiro questionamento da escritora, repórter que viu de perto no escândalo do #metoo, é o processo de julgamento de homens poderosos que encabeçam o mundo e como eles são tratados. É esse o verdadeiro combustível que faz com que a advogada, personagem principal da série Kate Woodcroft, aceite o caso. O que move o julgamento do político é o interesse da autora e que se traduz na linha argumentativa durante todo o questionamento da vítima Olivia Lytton: “Você foi clara quando disse que não queria?”, aliás “você usou de fato a palavra ‘não’ para aquele que você diz ser seu ‘estuprador’?” ou em inglês “did you actually say the word ‘no’?”.

Sacada de gênio por parte da escritora que soube usar essa pergunta que funciona dos dois lados, jogando na zona cinza da lei e atingido os dois po da audiência: os que pensam que houve violação e os que pensam que não houve. Para mim, essa série estimula o progresso na medida que questiona de fato se o homem teve ou não a intenção de cometer o crime. Grosso modo, o homem quis violar ou apenas não entendeu o recado? Isso é forte e polêmico e funciona. O livro foi um best-seller.

O que você precisa para “escrever um livro do zero”

O que você precisa para escrever um livro do zero é um objetivo para a sua história. Isso não é apenas uma questão de técnica. É outrossim uma atitude que denota do seu nível de compreensão da força da entidade com a qual você está lidando quando escreve: a ideia. Você pode manipulá-la, tentar dobrá-la ao seu grado. E de certa maneira, você tem muito poder e influência sobre a ideia. Isso é inegável. Mas você deve usá-la para o bem da humanidade, para estimular o seu progresso e avanço.

AVISO: Não está provado, tampouco existe estudo científico para o que eu vou dizer agora; as afirmações resultam da minha experiência, do estudo e da convivência com outros escritores e artistas.

Quanto mais o tempo passa, mais eu me convenço de que a escrita é algo prazeroso e natural quando em alinhamento total com os projetos universais para todos os que são influenciados por ela. Por conseguinte, quanto mais alinhada mais a escrita será fácil.

Eu explico melhor: para que a escrita seja bem-sucedida esta deve está em alinhamento com o progresso humano, que é o único objetivo da ideia que busca manifestação. Essa é, aliás, a condição sine qua non de manifestação das ideias, e eu exploro melhor no meu livro Como escrever um livro em 3 meses, que você pode obter gratuitamente por e-mail clicando aqui.

Caso você se interesse pelo assunto das ideias que é complexo, eu recomendo o artigo Vida de escritor: Escrevendo histórias que importam. Caso quiser receber mais conteúdo gratuito e de qualidade, inscreva-se no Jornal dos Autores.

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2 comentários em “Escrever um livro do zero

  1. Uma vez eu fui convidado por uma banda de rock da minha cidade para escrever o livro da história da banda. Contudo/entretanto/todavia, depois de pesquisar e montar o esqueleto do livro, os caras sumiram do mapa. 😦

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