Deixa eu te contar um segredo: a escrita é uma forma de terapia tão poderosa que permite, senão uma cura, o início do processo de cura espiritual. As pessoas saem do armário, seja qual este for: armário da depressão, sexual, ou somente aquele armário do moral/politicamente correto.

Trata-se da escrita catártica, que é aquela que te permite liberar do estresse, curar doenças e criar um processo de liberação que é o poder de toda arte. Para mais informações, veja o meu artigo A escrita catártica.

Deixa eu te dar exemplos para facilitar a compreensão:

Um amigo meu estava me contando esses dias que descobriu seu lado masculino graças à escrita, em específico graças ao ponto de vista do narrador. Ele é nascido mulher e não conseguiu contar histórias usando esse ponto de vista. A partir de uma investigação pessoal, esse amigo descobriu-se homem e pode assim compreender quem ele era: liberar-se como homem, assumir-se como homem, transformar-se e abraçar esse lado masculino que estava em algum lugar do seu ser, acanhado, não ousando se mostrar. Tudo isso graças a escrita. Não é maravilhoso?

Também aconteceu comigo: eu estava tendo crises de alucinação e pânico em Paris e, ao conselho de um amigo, eu comecei a escrever para aliviar as dores no peito. Quando o primeiro texto saiu, grande surpresa: a dor tinha diminuído consideravelmente. E mesmo se ela foi voltando aos poucos, conforme os dias passaram, uma coisa eu entendi. Aliás duas:

1) aquela dor era mais profunda e eu precisaria de uma terapia mais intensa para faze-la passar e
2) a escrita poderia me ajudar a falar sobre o que me causava aquela dor. Talvez a terapia e a possibilidade de falar sobre com palavras escritas me ajudaria a tocar o coração do problema, que eu sabia que estava enraizado no meu mais profundo.

Com a possibilidade de escrever mais livros, sendo o primeiro deles o que fala desse problema de mais perto, eu fui descobrindo que cada personagem, cada aspecto da minha escrita revela um pouco mais de quem eu sou, um pouco mais da minha pessoa, das minhas frustrações, dos meus traumas e desejos. Cada personagem é um reflexo de quem sou, mesmo se eles guardam a sua autonomia como entidades vivas advindas de uma ideia.

O que eu quero dizer aqui é que se você sofre de algo (o que eu duvido que não seja o caso, ou você não estaria aqui nessa vida em primeiro lugar), talvez a escrita seja uma forma de terapia para você. E se você continuar nas vias, provavelmente a terapia da escrita será a sua cura.

Esse é o poder da escrita e o seu lado espiritual. A possibilidade de exposição, aceitação e enfim de conexão com uma parte de nós mesmos. Essa parte que nós temos e da qual ou nos sentimos envergonhados, ou que nos machuca ou que nos traz alegria imensa. E com a exposição da ferida, inicia um processo de cura que é algo que nos encurta o aprendizado aqui no planeta Terra. A escrita não é apenas terápica. Ela é uma faceta da espiritualidade.

E você? Tem alguma experiência para contar de cura espiritual proporcionada pela escrita?

6 comentários em “A terapia da escrita

  1. Pois bem, a experiência que é escrever e descobrir a si mesmo através disso, é incomparável de tão libertadora!

    Maravilhosa postagem, tema muito necessário para diálogos ^^

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