Algo que eu vejo no meio literário, entre autores ou pessoas que têm ambição de escrever um livro é: “já escreveram a minha ideia” ou “e se ninguém gostar da minha ideia?” ou ainda (cereja sobre o bolo) “eu tenho medo da minha ideia.” A insegurança na hora de escrever é normal; na verdade, acho que não tem nada mais normal no mundo do que não ter fé no próprio taco, pelo menos antes de algumas tentativas e erros até se aprender o negócio de vez. O que não pode acontecer é deixar que essa insegurança tome conta de você a ponto de te impedir de escrever um livro.

Aqui vão algumas dicas, baseadas na minha experiência, sobre como ter, adquirir e crer na força de uma ideia.


  • Escreva sobre algo que você vive, viveu ou está vivendo.

Para mim um dos melhores indicadores sobre a qualidade de um livro (ou pelo menos o seu potencial), é a voz do autor. E Segundo a minha experiência, a voz do autor se mostra quando ele fala com o seu texto como se fizesse uma confidência ao seu melhor amigo, sem medo de julgamento, sem se ater às regras e normas e sobretudo, sem os filtros de moral ou pudor.

Quando eu comecei a escrever os primeiros textos do livro Cidade das Mandalas, eu sabia que tinha conseguido tocar o ouro porque o que eu estava escrevendo era algo extremamente pessoal e facilmente transponível para a coletividade dentro do meu nicho. Ou seja, eu sabia que muitas mulheres se identificariam com o que eu estava escrevendo e eu não tive medo de ser sincera, como se estivesse escrevendo num diário. Para que uma ideia se demarque das outras, ela deve ser genuína.

  • Alguém já criou o que estou criando.

Essa é a maior besteira que eu já ouvi! Se o que você está criando vem de você, como é possível que um autor entre dentro de outro para lhe roubar a ideia? O que você cria é só seu. Quando estiver comprovado que um autor possa ler pensamentos, ai sim você começa a se preocupar em como vai esconder a sua ideia! Por enquanto, cria no seu cantinho bonitinho e quando ela estiver pronta, tenho certeza de que o mundo vai se deliciar com a sua ideia.

  • Crie personagens, escolha cenários e monte uma intriga que fortaleçam a sua ideia

Uma casa para se sustentar deve estar assentada sobre fundações sólidas e de boa qualidade. Não adianta nada investir em móveis caros se a casa pode desabar a todo momento. Uma história que você conta é o resultado da sua ideia enfim colocada no papel, é a sua casa feita. Os móveis são por exemplo a capa, o layout e o marketing que você coloca no livro. Se após ver uma propaganda do seu livro, o leitor tiver vontade de entrar na sua casa e sentar no sofá, ótimo! Mas imagine o que acontece se o leitor está sentado confortável com seu chocolate quente e uma coberta, Kindle aberto e o teto desaba? Lá se foram os seus esforços como engenheiro, arquiteto e pedreiro.



  • Trabalhe a sua aceitação

Todas essas inseguranças quando se constrói um trabalho de arte, todos os bloqueios e a famosa procrastinação, nada mais são do que o medo da aceitação travestido de dificuldades técnicas. É necessário se ter em conta um FATO que ninguém nunca vai mudar: escrevemos para nós mesmos, mas ao atravessar o assoalho da publicação (seja qual for o modo), a sua obra de arte vira patrimônio da humanidade. Nesse sentido, quanto mais (e melhor) o seu livro servir aos outros, mais ele será conhecido, ganhará notoriedade e te fará subir a escada da fama.

Uma escrita a serviço da transformação

Um comentário em “Como confiar na força da sua ideia

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