Deixa eu te contar um segredo que você vai cair para trás. Há uma semana, eu recebi uma chamada vídeo no meu número profissional. Quando eu respondi, dei de cara com um pinto em plena atividade. Isso mesmo: um punheteiro não tinha nada para fazer, provavelmente percorreu as fotos do pessoal nos grupos literários, viu a minha foto, talvez tenha me achado bonitinha e me ligou para ver se eu estava afim de juntar-me a ele, criando assim a intriga da punheta e da siririca.

Por onde eu devo começar?

A minha primeira reação foi cortar a ligação no mesmo momento. Meu marido estava ao meu lado e vendo a minha chateação me perguntou o que acontecera. Eu contei-lhe e ele me disse: da próxima vez, comece a rir. Dois segundos depois, enquanto eu buscava uma maneira de bloquear o número, a pessoa ligou novamente. Eu não atendi. Quando eu consegui enfim encontrar a maneira de bloquear e voltei ao meu domingo, mas já me sentindo daquele jeito por ter sido incomodada daquela maneira. 

Fiquei me perguntando porque é que uma pessoa numa comunidade literária faria isso? Eu gosto de pensar pelo menos, que a comunidade representa um lugar de engajamento, o que significa que quem entra voluntariamente num grupo assim, não é para socar uma, ou entraria numa comunidade mais específica de masturbação coletiva. Pois, eu não vejo mal nenhum em pertencer a tais comunidades. Cada um seu gosto. Mas permaneçamos no mesmo assunto para não dispersar. 

E quanto mais eu pensava no que tinha acabado de acontecer, mais eu sentia pena, pensando em quantos têm esse comportamento ou pior, aquela falta de compreensão. Aquela pessoa não parecia ter entendido muita coisa do significado de um grupo literário. Ou talvez até sim, mas não creio que ele estivesse tentando extrair o soro do seu texto pela via da experiência. Tem outras formas de fazer isso sem incomodar as pessoas. Mas uma coisa é fato: este acontecimento elucidou ainda mais o que eu já achava e fortaleceu ainda mais a minha convicção de que é preciso ajudar as pessoas, educá-las para a cultura literária (talvez até ensiná-las a utilizar as comunidades porque aquilo me provou que ainda tem alguns que não sabem). 

Incidentes assim fazem parte daquilo que eu chamo “a triste realidade do leitorado” e só fortalecem a minha vontade de fazer algo. O meu desejo de ver mais e mais autores engajados alcançar aquele tão buscado sucesso e plenitude autoral sem ter que cair nesse tipo de irrelevância. Também desperta em mim um certo sentimento de solidariedade para com aqueles que ainda não entenderam que a internet é sim um lugar de partilha, mas que essa partilha deve ser direcionada e permanecer no mesmo assunto. Se uma pessoa faz parte de uma comunidade literária, é claro que ela não está interessada na sinfonia da punheta. Por mais necessitada que a pessoa esteja, é preciso permanecer coerente.

Por essse motivo, eu fiz esse artigo, para martelar uma vez mais a tecla da necessidade de educar não somente os autores mas um público apreciador da literatura. Uma vez mais, essa é a missão do Jornal dos Autores:  educar mais e mais. 

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8 comentários em “Profissionalizando-se como autor e o punheteiro do grupo literário.

  1. Que situação horrorosa, eu não saberia o que fazer. Existem pessoas sem noção em todos os nichos possíveis. Mto legal teu artigo.

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